Mulheres que inspiram: inserção do empoderamento feminino no âmbito político-nacional

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A Comissão da Mulher Advogada da OAB-CE e o Movimento das Mulheres do Legislativo promoveram, na sexta-feira (17), uma palestra, na sede da seccional, sobre o atual cenário da participação feminina no âmbito político-nacional. “Mulheres na Política” foi uma roda de conversa destacando as lutas travadas por mulheres que buscam firmar, nos espaços de poder, o empoderamento e o respeito às mulheres.

O evento destacou a representatividade feminina, não só na política partidária, mas também na política classista, através de relatos do cotidiano das aguerridas mulheres: Vládia Feitosa, vice-presidente da OAB-CE; Christiane Leitão, presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-CE; Raquel Andrade, vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada; Iris Gadelha, prefeita do município de Alto Santo; Augusta Brito e Érika Amorim, deputadas estaduais; e Cristiane Sales, secretária do Movimento das Mulheres do Legislativo.

“Na ocasião, tivemos a oportunidade de estarmos juntas debatendo a importância das mulheres na política, e como se constroem políticas públicas voltadas para mulheres, homens, crianças, LGBTS e qualquer categoria social. ”, comenta a Deputada Estadual, Augusta Brito.

Em discurso, a vice-presidente da OAB-CE relatou sobre a participação das mulheres na liderança de cargos políticos. “Sabemos da existência da Lei que garante cotas de 30% da participação das mulheres, mas entendemos que somos a maioria das votantes e maioria também da população. Assim, penso em por que não aumentar para 50%? São eventos como esse que destacam a importância da representatividade da mulher nos diversos lugares de poder, e isso é empoderamento. Na Ordem, durante este triênio, possuímos o maior percentual de comissões presididas por mulheres, mostrando a participação da classe feminina na advocacia e o orgulho da gestão em firmar esse compromisso de valorização”, afirma.

De acordo com a Lei nº 9.504/1997, prevista no artigo 10, parágrafo 3º, sobre as Eleições, é obrigatório que seja executado um percentual mínimo de 30% e o máximo de 70% da participação política feminina, no entanto, as mulheres ainda possuem espaço muito curto quando o assunto é política. Segundo os dados disponibilizados pela Procuradoria da Mulher do Senado Federal, 51% da população é composta por mulheres, constituindo mais da metade dos cidadãos brasileiros. Desse total, apenas 12% governam as prefeituras do Brasil; o mesmo acontece com mulheres negras, que representam 27% da população, mas apenas 3% exercem a função. Hoje, 41% das mulheres acham que um dos principais motivos de uma mulher não se candidatar é a falta de apoio político.

“No momento, nós estamos sub-representadas, não só nos espaços da política partidária, mas também nos institucionais e de grande importância política. Nós, mulheres, queremos compartilhar desses espaços, por uma questão de justiça social. Temos esse direito de possuir as mesmas oportunidades de ocupar os espaços pelo qual somos capacitadas, qualificadas e, sobretudo, competentes”, destaca a vice-presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-CE, Raquel Andrade.

A Deputada Estadual, Érika Amorim, esclarece acerca de políticas e serviços voltadas para as mulheres. “Não há como fazer uma política para mulheres, sem mulheres. Nossa inserção na política é uma das formas de nos afirmarmos como protagonistas, é importante a nossa participação para podermos perceber menos desigualdades. ”, disse.

Um exemplo de integração política e social, é promovido pela prefeita de Alto Santos, Iris Gadelha, onde desenvolve ações visando o benefício das mulheres na cidade. “Passei a promover cursos de culinária, maquiagem e gastronomia, buscando trazer benefícios para as mulheres que podem começar o trabalho delas dentro de casa, até mesmo na zona rural, consequentemente, criando o seu primeiro negócio. Além disso, proporcionamos políticas públicas para mulheres; criamos um ambulatório feminino; promovemos o cuidado, a prevenção e uma melhor qualidade de vida para mostrar que juntas, nós podemos mais”, salienta.

De acordo com a presidente da Comissão da Mulher Advogada, esse será o primeiro de diversos outros eventos promovidos pela Comissão, com o intuito de inserir a mulher em assuntos de cunho social. “Queremos construir eventos que agreguem valores à todas. É muito importante essa intercepção que Ordem vem realizando para mulheres que inspiram e agregam valor para outras mulheres e homens também. Sabemos que a política traz o reflexo da sociedade, e a OAB-CE tem esse papel social de educar e orientar. Por isso, estamos propondo construir eventos frequentes com mulheres e sobre mulheres. Este é o primeiro de muitos”, finaliza Christiane Leitão.

2019-05-21T09:38:56-03:0021 de maio de 2019|