No universo das discussões feministas, a objetificação da mulher a redução de sua existência e corpo a um mero objeto de desejo ou consumo é uma pauta antiga e persistente. No entanto, quando celebramos o Dia da Visibilidade Lésbica, no dia 29 de agosto, precisamos aprofundar essa reflexão. Não se trata apenas de padronização estética, mas de uma luta para que nossa identidade seja vista de forma completa e humana.
Visibilidade lésbica vai muito além de sexualizar ou focar no que se faz a quatro paredes. É um ato de coragem e de liberdade que nos permite mostrar ao mundo quem somos, com nossas paixões, profissões e talentos. E sobre dar rosto, voz e corpo a uma realidade plural, composta por mulheres diversas, com diferentes habilidades e histórias. A visibilidade é a quebra do silêncio, a prova de que existimos e resistimos em todos os espaços da sociedade.
A narrativa sobre a sexualidade lésbica é frequentemente reduzida a estereótipos grosseiros e, muitas vezes, fetichizados pela sociedade heteronormativa. A experiência lésbica é complexa e rica, e não pode ser resumida a jargões pejorativos. Muitas vezes, nós mesmas caímos na cilada de nos diminuirmos a esses estereótipos, internalizando a visão limitada que o mundo tem de nós. Sair do armário não é apenas sobre a orientação sexual em
si, mas sobre a recusa em ter nossa vida e nossos corpos objetificados. E dizer que somos mais do que a genitália,
mais do que fetiches, e mais do que a curiosidade alheia.
A visibilidade, portanto, é a nossa ferramenta para construir pontes e desmistificar preconceitos. Ao mostrar a realidade de nossa vida, com suas alegrias e desafios, nós reafirmamos nossa humanidade. Rompemos com a lógica da invisibilidade e da objetificação, e mostramos que a nossa sexualidade é apenas uma parte de quem somos, não a totalidade. Somos artistas, médicas, professoras, mães, filhas, e somos, acima de tudo, mulheres completas que amam outras mulheres.
Que a visibilidade lésbica seja um momento de reflexão e celebração de quem somos, em toda a nossa plenitude. É um convite para nos vermos e sermos vistas, não como um padrão, mas como seres humanos complexos e dignos de respeito.
A visibilidade, portanto, é a nossa para ferramenta construir pontes e desmistificar preconceitos.
IVNA COSTA, presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero da OAB-CE