
O Ceará pulsa com a energia de sua gente. Mas, por trás do cenário paradisíaco, escondem-se realidades que demandam ação e reflexão. Na defesa dos direitos da pessoa idosa, testemunhamos diariamente uma paisagem social complexa, onde a sabedoria acumulada em anos de vida muitas vezes é ofuscada pelo descaso e pela invisibilidade. Nosso trabalho é um constante mergulho nas “rugas da justiça”, onde cada sulco conta uma história de luta e, por vezes, de solidão.
O envelhecimento é um triunfo da ciência e da humanidade, mas a forma como nossa sociedade o encara é um desafio. Frequentemente, a pessoa idosa é reduzida a um estereótipo: frágil, dependente, um peso para a família e para o Estado.
Por trás das dores físicas e das memórias, existe um indivíduo com uma biografia rica, com sonhos, medos e, acima de tudo, direitos. A violação desses direitos não se manifesta apenas na violência física ou financeira, que, infelizmente, são vivenciadas. Ela se revela também na sutileza do desprezo, na negação de um espaço de fala, na presunção de incapacidade.
O nosso ordenamento jurídico, embora avançado, ainda encontra obstáculos para a plena efetivação da proteção ao idoso. A lei é um escudo, que deve ser utilizado. É aqui que entra o trabalho da advocacia. Nossa tarefa é dar voz a quem foi silenciado, transformar o anonimato em uma narrativa de dignidade e resistência. É confrontar a burocracia com a humanidade, a indiferença com a empatia.
O dia 1º de outubro, o Dia Internacional do Idoso, serve como um lembrete global de que a batalha contra o etarismo é contínua e silenciosa, travada em consultórios, em filas de banco, em almoços de família e em salas de audiência. É uma luta para garantir que a pessoa idosa não seja apenas assistida, mas que seja vista, ouvida e respeitada. O Ceará, com sua população cada vez mais envelhecida, precisa de políticas públicas eficazes é de uma mudança de mentalidade.
Proteger a pessoa idosa não é um ato de caridade; é um imperativo de justiça. É reconhecer que a dignidade humana não tem prazo de validade. E no Ceará, a nossa esperança é que, em breve, as rugas da nossa justiça sejam apenas marcas de uma história bem-sucedida de inclusão e respeito.
Patrícia de Abreu Viana
Presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da OAB-CE
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