O ano de 2016 deparou-se com um Brasil absolutamente instável, política e economicamente, moralmente devastado pela corrupção. Bem, neste tornado de intempéries, uma circunstância se tem mostrado um dos maiores prejuízos na governabilidade do país: A perda de credibilidade e de confiança junto ao seu povo. Diante destes vaivens, entre as muitas lições que devemos tirar está a de como uma chefia se encontra a largos passos de genuína liderança, porquanto a colocação desta não dependa de títulos ou nomeações para obter o que, sem designação de forma, lhe é consequente apenas pelos bons resultados que alcançam. Em nossa advocacia, portanto, sejamos sempre mais líderes do que chefes.

Pela natural condição de sociabilidade humana, a liderança é poderosa ferramenta na árdua tarefa de impulsionar outros homens, se lhes extraindo o que de melhor têm a oferecer em benefício de um ideal, um ideal do grupo e do próprio líder. Liderança, assim, não se trata de um atributo de cargo, senão da pessoa que o exerce, por cujo efeito imprime na consciência dos que cercam a estampa de competência e habilidade, e isso claramente nos interessa.

Mas, afinal, nasce-se líder ou se torna um? O que fazer para desenvolver a habilidade da liderança? Liderar rende ganhos, isto é, vale mesmo a pena liderar?

Advogados experientes, que já se habituaram à equilibrada busca pelo sucesso, quer conduzindo seu próprio escritório, coordenando um departamento jurídico, mais cedo ou mais tarde se depararam com a necessidade de serem líderes. Descobriram que mandar em alguém nunca surte o mesmo efeito que conduzir. Ali se limita, aqui se expande. Mas, de que maneira ser líder realmente importa e favorece a um advogado ainda no início de carreira? Como, por exemplo, na condição de empregado ou associado iniciante, ou mesmo na investida do próprio escritório pode o mesmo beneficiar-se nessa conjuntura?

Há quem desde muito cedo demonstre, de “per si”, uma nítida capacidade de orientar os demais no rumo de um trajeto. Outros, por sua vez, desenvolvem esta capacidade na maturação de sua experiência profissional e mesmo de vida. É possível que este último alcance o sucesso e o primeiro não, ou vice-versa. A liderança, conquanto de um grande e até mesmo nobre valor, não se faz por si só, porque um meio a ser bem utilizado para o alcance de determinado fim.

E é exatamente nestes primeiros passos que o jovem profissional precisa adquirir a consciência de que uma visão empreendedora da advocacia lhe conferirá sempre uma postura que transcende o habitual. A liderança para a jovem advocacia procede deste sentimento de ânsia por saltear a barreia da média comum. Ir além do que se espera é uma constante que levará a resultados extraordinários.

Neste mesmo sentido, a ainda liderança para um jovem profissional se inicia efetivamente quando este toma a firme decisão de que não deseja passar o resto de sua vida maldizendo-se do pouco que ganha e de possíveis condições ruins em que trabalhe. Depois disso, não importará que as estimativas numéricas sejam ruins, dos tantos mil advogados que lhe oferecem concorrência. Preocupação é tempo perdido, trabalho estratégico é tempo investido. Assim, tenha muito preciso que liderar importa em resultado, e os resultados virão em curto, médio e longo prazo. O líder aprende a tratar com paciência, e enxerga em tudo ganho.

Desenvolve-se um espírito de liderança, primeiro, buscando saber quais os principais comportamentos neste entremeio. Fontes de alto prestígio, entre elas as melhores revistas sobre negócios do mundo e do país, traçam alguns: No artigo intitulado “What Is Authentic Leadership?”, a revista Forbes, quando fala do que se diz um líder autêntico, pontua entre suas principais características a (i) capacidade que têm de ser autoconscientes, (ii) de conduzir uma missão focada em resultados, (iii) de pensar a longo prazo, (iv) de conhecer a si mesmo, (iv) de fazer o que fazem com o coração, (vi) de inspirar outras pessoas. A revista Exame indica como algumas destas marcas de uma liderança bem-sucedida o (vii) posicionamento ativo, (viii) a assunção das responsabilidades, (ix) gestão de tempo, (x) ser um tomador de decisões, (xi) saber reconhecer méritos e limites pessoais.

É evidente que muitas desses critérios serão adquiridas com o tempo, alguns fáceis de exercitar, outros nem tanto, importa que se comece. No mais das vezes, a vivência prática da atividade jurídica estimula e otimiza valorosamente este aprendizado. Se assim não o for, todavia, pedir orientação a um profissional que se mostre um bom líder é uma ótima maneira de alcançar esta experiência. Tome uma personalidade como exemplo profissional e procure seguir alguns de seus passos, especialmente se o começo da trajetória dela parece-se com a sua.

Um advogado que lidera, jovem ou experiente (em termos de mercado), se destacará sobremaneira como uma consequencia espontânea de sua capacidade própria. Logo mais se tornará aquele a quem outros se têm para juntos resolverem dilemas, materializarem ideias. Neste caminho, encontra-se a grata oportunidade de estimular outros a trabalharem com seu máximo potencial, a avantajar resultados, a promover ganhos e diminuir perdas. É por isso que somente no plano de uma visão menos favorecida a liderança se passa como dispensável. Ao contrário, significa ganho, lucro, qualidade de trabalho, crescimento. Vale, sim, muito a penal liderar, do ponto de vista pessoal e mesmo financeiro.

“O empreendedor sempre está buscando a mudança, reage a ela, e a explora como sendo uma oportunidade”, disse certa vez Peter Drucker, considerado o pai da administração moderna. Neste tempo de crise, alguns a têm por absoluto decréscimo, outros como oportunidade de crescimento. Um líder, sobretudo, acredita no que faz. Na verdade, só o faz porque acredita, daí porque se destaca, sem dar muita conta de supostos determinismos pessimistas. Está ocupado demais transformado em ação (resultado) o que outros, perdendo tempo, insistem em desperdiçar como mera especulação.

Cinthia Greyne – advogada