A presidente eleita para o triênio 2025-2027 da Ordem dos Advogados do Brasil – secção Ceará (OAB-CE), Christiane Leitão, foi destaque na matéria do jornal a Folha de S. Paulo, a qual aborda a representatividade feminina nas seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Apesar da regra de paridade de gênero, Christiane está entre as únicas seis mulheres presidentes das seccionais da Ordem, espaço onde ocupam apenas 22%, evidenciando a necessidade de mais avanços e ações afirmativas na luta pela igualdade na advocacia. 

 

Leia a matéria completa na íntegra

 

Mulheres são 22% dos presidentes estaduais da OAB e 82% dos vices

 

6 seccionais elegeram lideranças femininas, e paridade na presidência segue distante;

maior presença delas levantou novos debates

 

SÃO PAULO Na segunda eleição para seccionais da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) após a implementação da regra de paridade de gênero, o número de mulheres na presidência das entidades estaduais aumentou para seis, sem grandes avanços em relação às cinco eleitas no pleito anterior.

este ano, representando apenas 22% do comando das seccionais, mulheres compõem 82%dos cargos de vices eleitos. Nas seis seccionais que elege- ram mulheres nessas eleições, Daniela Borges (Bahia) e Gisela Cardoso (Mato Grosso) foram reeleitas, enquanto Ingrid Zanella (Pernambuco), Christiane Leitão (Ceará), Érica Neves (Espírito Santo) e Ana Tereza Basílio (Rio de Janeiro) vão assumir pela primeira vez à presidência.

 As eleições pelo país ocorreram em novembro. 

Em vigor desde 2021, a regra de paridade estabelece que as chapas devem ter 50% de pessoas de cada gênero, percentual que deve ser respeitado dentro dos diferentes cargos, incluindo titulares e suplentes. 

Naquele ano, 5 mulheres foram eleitas para comandar seccionais, sendo que, em 4 delas, foi a primeira vez que uma mulher assumiu a presidência. Embora a eleição passada tenha representado uma vitória na luta das advogadas da OAB, que em 9o anos havia elegido, até en- tão, apenas dez mulheres para comandar as seccionais nos estados e no DE, o resultado das eleições para próximo triênio mostra ainda a disparidade da presença de mulheres na presidência.

Para Valentina Jungmann, ex-conselheira federal da OAB e autora da proposta de paridade, os avanços desde sua implementação têm sido tímidos. Ela atribui isso à violência política classista e à falta de ações afirmativas que incentivem uma participação

mais significativa das mulheres. Outro fator apontado foi o alto custo das campanhas em algumas seccionais, destacando a necessidade de repensar o sistema eleitoral para tornar as candidaturas mais democráticas. 

Segundo Amanda Souto, presidente nacional da Comissão de Diversidade Sexual e Gênero da OAB, o aumento da presença feminina, após a aprovação da regra de paridade, trouxe à tona pautas urgentes para reduzir desigualdades. 

No entanto ela destaca que as mulheres ainda não atingiram igualdade na Ordem. No primeiro mandato com a regra de paridade em vigência, foi aprovada a lei 14.612/2023, idealizada pela Comissão Nacional da Mulher Advogada da OAB, que estabelece que assédio moral, assédio sexual e discriminação são infrações passíveis de suspensão. Para Souto, essa conquista reflete o impacto da maior presença feminina na OAB, que tem ampliado a visão da instituição sobre questões de gênero. 

Ela aponta, contudo, que a dificuldade em formar chapas é uma das principais barreiras para a ascensão de mulheres à liderança, embora se mantenha otimista em relação às próximas eleições.