A OAB Ceará recebeu, na noite da última quarta-feira (26/11), a exibição especial do documentário “A Rebelião dos Jangadeiros”, obra que resgata a Greve dos Jangadeiros de 1881, um marco histórico do Ceará e um dos episódios mais emblemáticos da luta abolicionista no Brasil. Além disso, a obra mistura memória, ficção e depoimentos de pesquisadores e lideranças do movimento negro, destacando personagens como José Napoleão e Preta Simoa, símbolos de resistência e liberdade.
A iniciativa integrou a programação do Mês da Consciência Negra na OAB-CE. Para o presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial, Paulo Vale, a exibição representa um momento de reflexão essencial. “Resgatar essa história é reafirmar o compromisso com a luta antirracista e com a valorização das resistências negras que moldaram o Ceará como referência na abolição”, destacou.
Dirigido por Cinthia Medeiros e Demitri Túlio, com produção executiva de Íris Sodre (Gavulino Filmes), o documentário foi contemplado pelo XIV Edital Ceará de Cinema e Vídeo.
A obra revisita os acontecimentos ocorridos na antiga Praia do Peixe, hoje Praia de Iracema, nos dias 27, 29 e 30 de janeiro de 1881, ressaltando o impacto do movimento na consolidação do Ceará como pioneiro na abolição da escravidão.
O filme reúne depoimentos de importantes estudiosos e personalidades, entre eles o historiador Jones Manoel; o antropólogo e cientista social Hilário Ferreira; as antropólogas Antônia de Araújo e Vera Rodrigues; a cantora e ativista Mallu Viturino; o museólogo Saulo Moreno; o desembargador André Costa; e Lúcia Simão, fundadora do Grupo de Consciência Negra do Ceará (Grucon), homenageada póstuma pela sua contribuição histórica.
Após a exibição, o público participou de um debate especial que reuniu a diretora Cinthia Medeiros; a antropóloga Antônia de Araújo, doutora em Antropologia Social (UFRJ/MN) e pesquisadora com foco em justiça racial e mulheres negras; o desembargador André Costa, integrante da 4ª Câmara e da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Ceará; e a atriz, cantora e pesquisadora da voz Marta Aurélia, referência na cena artística cearense.
Durante o diálogo, os convidados compartilharam reflexões sobre a importância histórica, política e social da obra, destacando a atualidade das discussões que ela suscita.
Durante o debate, o desembargador André Costa ressaltou a relevância da obra para a memória histórica do Estado. “Este documentário reitera a importância de reconhecermos as resistências que impulsionaram a abolição no Ceará e nos convida a refletir sobre os desafios que permanecem na sociedade brasileira”, afirmou.
Também prestigiaram a sessão especial, o conselheiro federal da OAB-CE, Erinaldo Dantas, o secretário-geral adjunto, Francivaldo “Vavá” Lemos; o presidente da ESA-CE, Raphael Castelo Branco; a presidente da Comissão de Educação Jurídica, Vanessa Oliveira; o presidente da Comissão da Juventude, Hiago Brito; além de conselheiros estaduais, membros do Conselho Jovem, e advocacia em geral.