Em virtude da grave violação de prerrogativas da advocacia, perpetrada por decisão da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), favorável à gravação de diálogos em parlatórios, a Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) requereu intervenção imediata ao Conselho Federal da OAB e à Procuradoria Nacional de Defesa das Prerrogativas, para reverter a decisão do TJCE, por meio de todos os instrumentos jurídicos e políticos cabíveis.
A OAB Ceará expôs que, ao julgar o Agravo em Execução nº 8004842-02.2024.8.06.0001, a 3ª Câmara Criminal do TJCE deu provimento ao recurso do Ministério Público Estadual para autorizar, de forma generalizada e indiscriminada, a gravação de diálogos em áudio e vídeo no interior da Penitenciária Estadual de Segurança Máxima do Ceará, incluindo os parlatórios destinados ao atendimento jurídico de custodiados por seus advogados.
Amplamente divulgada na imprensa local, a decisão do TJCE autorizou o monitoramento contínuo pelo prazo de 180 dias, prorrogáveis, sob o argumento de combate ao crime organizado e de que a atuação da advocacia na referida unidade prisional seria “anômala”.
A presidente da OAB Ceará, Christiane Leitão, defende que “tal medida, que já se encontra em execução, representa um ataque frontal e sem precedentes ao sigilo profissional, pilar fundamental para o exercício do direito de defesa, garantido pela Constituição Federal e pelo nosso Estatuto”. Ressalta que “ao relativizar o sigilo da comunicação entre advogado e cliente com base em presunções abstratas, [a decisão do TJCE] abre um perigoso precedente que criminaliza a advocacia e transforma o exercício da nossa profissão em uma atividade sob constante suspeita”.
A Ordem cearense se mantém firme na defesa das prerrogativas da advocacia, destacando que a inviolabilidade do escritório de advogadas e advogados, de seus arquivos, de seus dados e de suas comunicações é uma garantia não do profissional, mas do próprio cidadão e do Estado Democrático de Direito.
Ao usar todos os recursos cabíveis, a OAB-CE requereu ao presidente do CFOAB, Beto Simonetti, e ao Procurador Nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB, Alex Sarkis, uma atuação firme e coordenada de todo o Sistema OAB diante da gravidade da situação.