A Comissão de Estudos Políticos da OAB/CE promoveu, na sexta-feira (26), o II Fórum de Estudos Políticos com o tema “Futebol é ópio do povo? ”. Atraindo não só a classe advocatícia, mas também os amantes do futebol, o debate foi realizado na sede da seccional, com o intuito de discutir as relações entre o esporte e a política, analisando sobre uma perspectiva sociocultural e econômica no Estado do Ceará.
Para o presidente da Comissão de Estudos Políticos, Isaac Andrade, o esporte é usado como ferramenta política desde a antiguidade, entretanto, não deve ser reduzido a mero instrumento de alienação social. “É certo que, a identidade do povo brasileiro está intimamente ligada à Seleção Brasileira de Futebol, é ela a nossa representatividade lá fora. Entretanto, o esporte não deve ser classificado como instrumento de alienação, devemos separar corretamente a política do futebol, pois os limites entre Governo e Estado não podem ser confundidos”, afirmou.
Na ocasião, também foi discutido acerca do mercado futebolístico, atuante na capital cearense. Segundo Ferruccio Feitosa, Ex-secretário Estadual de Esporte na Copa do Mundo em 2014, e atual Secretário Municipal da Regional II, o esporte, em especial o futebol, é um mercado como qualquer outro, que consequentemente, gera inúmeras riquezas para a região. “O futebol é sem sombra de dúvidas, um espetáculo como qualquer outro. Bonito, maravilhoso e apaixonante, é algo que já pertence a nós brasileiros. Particularmente, eu não concordo com isso, futebol não é só esporte, é negócio. Nele contém os melhores executivos, é uma indústria que traz aproximadamente 38 eventos importantes, gerando riquezas para o Estado do Ceará, e consequentemente, aumentando a visibilidade para a cidade de Fortaleza”, disse.
Marcelo Paz, presidente do Fortaleza Esporte Clube, destacou sobre a economia, bem como a indústria promovida pelo futebol cearense. “De fato, o futebol tem um poder absurdo de entrar na vida das pessoas, mas não é o ópio do povo. O ópio é um entorpecente que tira o indivíduo da realidade, eu não vejo o futebol assim. Futebol é entretenimento, paixão e atividade econômica, é uma indústria que traz grandes eventos para o Estado”, pontuou.
Já Raimundo Pinheiro, vice-presidente do Ceará Sporting Club, ressaltou sobre o comercio empresarial nos times de futebol brasileiros. “Existe uma parte comercial, por meio de empresas que investem no nosso futebol, mas se quisermos evoluir, o ideal é termos uma confecção, implantar um marco regulatório, assim como nas Ligas espanhola, portuguesa e alemão, onde teriam gestores, empresas profissionais cuidando do “negócio futebol”, concluiu.
Estiveram presentes Isaac Andrade, presidente da Comissão de Estudos Políticos da OAB/CE; Sandro Fiúza e Diego Freitas, membros efetivos da Comissão de Estudos Políticos da OAB/CE; Ferruccio Feitosa, Secretário Municipal da Regional II; Marcelo Paz, presidente do Fortaleza Esporte Clube; Raimundo Pinheiro, vice-presidente do Ceará Sporting Club; e Thiago Albano Filho, presidente do Tribunal De Justiça Desportiva do Futebol Do Ceará (TJDF/CE).