A tarde de debates no Auditório Hugo de Brito Machado, na sede da OAB-CE, na última quinta-feira (4/12), reuniu especialistas e jovens advogados para momentos de troca de experiências. Os painéis 3 e 5 do VII Encontro Regional da Jovem Advocacia do Nordeste (ERJAN), abordaram temas de destaque para a atuação profissional contemporânea, como os impactos das medidas protetivas nas relações familiares e a importância das soft skills e da oratória na construção de uma advocacia mais estratégica e protagonista.
Medidas protetivas nas relações familiares e desafios processuais
O Painel 3 – “Interseção Penal-Familiar: O Impacto das Medidas Protetivas (Lei 11.340/06) na Suspensão e Reversão da Guarda e a Revisão dos Alimentos no Contexto da Violência Doméstica” contou com a presença da conselheira Federal pela OAB-CE e presidente da Comissão de Direito de Família, Vládia Feitosa; do diretor adjunto da Escola Superior de Advocacia do Ceará (ESA-CE) para Subsecções, Hélter Dias; da advogada especialista em Direito de Família, Isabelle Novais; e da mediadora do painel, a conselheira jovem Gislene Fontenele.
Em fala marcada por acolhimento e senso de responsabilidade profissional, Vládia Feitosa destacou a complexidade da atuação na área. “A advocacia não é apenas técnica. Ela exige resolutividade, inteligência emocional e capacidade de gestão de conflitos. Todos os dias lidamos com problemas reais, que afetam profundamente a vida das pessoas. A forma como acolhemos e conduzimos esses conflitos define a confiança do cliente e a efetividade da nossa atuação. Ter segurança não significa não sentir medo, mas saber conduzi-lo para entregar o melhor resultado possível”, frisou.
No painel, Hélter Dias trouxe uma reflexão atual sobre como as inteligências artificiais vêm impactando as dinâmicas familiares. “Estamos vivendo um cenário em que as inteligências artificiais já interferem diretamente nas relações familiares, seja na comunicação entre casais, na educação dos filhos, na gestão de conflitos ou até na produção de provas digitais em litígios. A advocacia precisa compreender esses impactos, porque eles transformam a dinâmica das disputas e exigem novas competências do profissional. Entender como a IA influencia comportamentos, registros e decisões é fundamental para uma atuação responsável, estratégica e alinhada às novas realidades sociais”, enfatizou.
A advogada Isabelle Novais, especialista em Direito de Família, trouxe uma visão prática sobre os efeitos das medidas protetivas nas dinâmicas familiares e processuais. “A violência doméstica repercute em todas as esferas da vida familiar, inclusive na guarda, no direito de convivência e na revisão dos alimentos. É fundamental que a advocacia entenda que essas medidas existem para proteger, mas também exigem análise criteriosa das particularidades de cada caso. A humanização do atendimento e a sensibilidade na escuta são essenciais para uma atuação eficaz”, ressaltou.
Encerrando o painel, a mediadora Gislene Fontenele destacou a importância do diálogo interdisciplinar. “Quanto mais trocamos experiências, mais fortalecemos a advocacia e ampliamos nossa capacidade de atuação ética e responsável”, pontuou.
Liderança, oratória persuasiva e habilidades essenciais
O Painel 5 – “Advocacia Além da Lei: Oratória Persuasiva, Soft Skills Essenciais e a Construção da Liderança na Carreira Jurídica” trouxe reflexões sobre estratégias profissionais, comunicação e protagonismo na advocacia contemporânea. O momento reuniu o conselheiro jovem da OAB-CE e mediador, Renato Guimarães; o especialista em oratória e mestre de cerimônias do TRF5, Fábio Araújo; o conselheiro estadual da OAB Amazonas, Bruno Queiroz; a advogada especialista em Direito Administrativo, Prhriscilla Motta; e a psicóloga Lina Alves.
Abrindo o painel, Renato Guimarães destacou a importância de desenvolver competências além da técnica jurídica. “A advocacia contemporânea exige muito mais do que conhecimento da lei. Exige comunicação efetiva, postura, inteligência emocional e a capacidade de liderar processos e pessoas. São essas habilidades que diferenciam profissionais em um mercado cada vez mais competitivo”, ressaltou.
Em seguida, o conselheiro amazonense Bruno Queiroz compartilhou sua trajetória inspiradora e reforçou a importância da oratória e do networking na construção de oportunidades. “A oratória é essencial para qualquer advogado, ainda mais para quem atua na defesa da liberdade. O conhecimento abre caminhos que jamais imaginamos. Minha trajetória em diversos estados nasceu do networking construído em eventos como este. A conexão presencial ou digital transforma carreiras. E enquanto estiver na OAB, minha luta será sempre pela jovem advocacia, porque essa caminhada nos devolve em aprendizado, amizades e oportunidades”, disse.
A advogada Prhriscilla Motta trouxe um panorama prático sobre comunicação estratégica e posicionamento profissional, baseando-se no “Tripé da Autoridade Jurídica”. “Hoje, competência técnica não basta. Autoridade jurídica nasce da combinação entre posicionamento claro, conteúdo intencional e entrega técnica consistente. O mercado quer profissionais que saibam comunicar, influenciar e liderar. Quem domina soft skills transforma conhecimento em reconhecimento”, argumentou.
O especialista em oratória Fábio Araújo apresentou técnicas objetivas para aprimorar a comunicação profissional, desmistificando o medo de falar em público. “Uma boa oratória segue passos simples: aparência adequada, postura firme, pronúncia clara, domínio do tema, superação do medo, uso correto do material de apoio e respeito ao tempo. Com treino e técnica, qualquer pessoa pode evoluir. A comunicação é uma ferramenta poderosa para a advocacia”, explicou.
Fechando o painel, a psicóloga Lina Alves reforçou a importância da interface entre Direito e Psicologia na construção de decisões sensíveis e humanizadas. “Nenhuma sentença existe sem uma história humana por trás. O Direito normatiza; a Psicologia dá significado. Quando a lei encontra o sofrimento humano, entra em cena uma escuta ativa e qualificada, que ajuda a compreender conflitos, lealdades invisíveis e impactos emocionais. Essa união de saberes oferece ao juiz e às partes um olhar mais completo e cuidadoso sobre cada processo”, finalizou.