As políticas de ações afirmativas, os desafios para a permanência de estudantes cotistas nas instituições de ensino e a ocupação de espaços de poder por mulheres negras estiveram no centro do curso “Cotas Raciais e Autonomia: A Mulher Preta Latino-Americana como Sujeito de Direito e Agente de Transformação Social”, promovido pela OAB-CE, por meio da Comissão de Promoção da Igualdade Racial e da Escola Superior de Advocacia do Ceará (ESA-CE), na última quinta-feira, 16/07.
O encontro reuniu advogadas e advogados, estudantes, pesquisadoras e representantes da sociedade civil em um espaço de diálogo sobre os avanços conquistados pelas políticas de cotas raciais e os desafios que ainda persistem para a efetivação da igualdade de oportunidades no Brasil.
Ao longo da programação, as palestrantes destacaram que as ações afirmativas vão além da ampliação do acesso ao ensino superior e ao mercado de trabalho. As cotas também representam instrumentos de reparação histórica e de fortalecimento da autonomia de grupos historicamente excluídos, especialmente das mulheres negras, que ainda enfrentam barreiras relacionadas ao racismo estrutural, à desigualdade de gênero e à sub-representação em espaços de decisão.
O debate também abordou temas como o combate às fraudes nos sistemas de cotas, a importância da produção de conhecimento a partir das experiências das mulheres negras, a valorização das territorialidades e o fortalecimento de lideranças comprometidas com a transformação social.
Participaram do encontro a professora e pesquisadora Cícera Barbosa, a advogada e pesquisadora Larice Peixoto, a professora e escritora Jacqueline Costa e a advogada e vice-presidente da Subseção Litoral Leste, Xeila Freitas, que compartilharam diferentes perspectivas sobre direitos, representatividade e justiça racial.
Para o presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da OAB-CE, Paulo Vale, iniciativas como esta contribuem para ampliar o debate sobre equidade racial e fortalecer a construção de políticas públicas voltadas à inclusão. “A promoção da igualdade racial exige diálogo permanente, produção de conhecimento e o fortalecimento de espaços de formação e conscientização. Discutir as cotas raciais e o protagonismo das mulheres negras é também reafirmar o compromisso com a defesa dos direitos humanos e com a construção de uma sociedade mais democrática e inclusiva”, destacou.
A mesa de abertura também contou a presença da membra da Comissão da Mulher Advogada da OAB-CE, Priscilla Farias Azevedo, a vice-presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial, Tharrara Rodrigues e a secretária-geral adjunta da Comissão, Luana Sousa.