Evento promovido pela OAB-CE reúne referências do Judiciário, Ministério Público e da advocacia em dois dias de debates sobre liderança, gênero, inclusão, violência e acesso à Justiça.

A força e a representatividade das mulheres na advocacia cearense marcaram a abertura da 2ª Conferência Estadual da Mulher Advogada durante a programação da X Conferência Estadual da Advocacia Cearense, no Centro de Eventos do Ceará. Promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE), por meio da Comissão da Mulher Advogada, o encontro reuniu grandes referências do Direito e de instituições do sistema de Justiça para discutir os desafios e as transformações necessárias para uma advocacia mais igualitária, inovadora e inclusiva.

Com o tema “Agenda 2030, inovação, liderança e perspectiva de gênero para transformar a advocacia e ampliar o acesso à Justiça”, a conferência promove debates sobre liderança feminina, igualdade de gênero, inovação, enfrentamento à violência, inclusão e os desafios vivenciados pelas mulheres no exercício da advocacia.

Durante a abertura, a presidente da OAB-CE, Christiane Leitão, destacou a representatividade do momento e a importância de reconhecer a trajetória de mulheres que transformaram suas experiências em instrumentos de luta e transformação social. Ao mencionar a homenagem realizada à ativista Maria da Penha, pelos 20 anos da Lei Maria da Penha, Christiane ressaltou a importância de reunir, no mesmo espaço, mulheres que atuam em diferentes frentes em defesa de direitos.

“Ontem tivemos um dia excepcional. Acredito que nem nas minhas melhores orações eu tinha pedido algo tão especial como foi ontem, na história e na trajetória de grandes mulheres. Maria da Penha ressignificou a sua dor em luta e trouxe para nós a Lei Maria da Penha. Hoje temos aqui grandes mulheres que trabalham e lutam dentro das suas pautas”, afirmou.

A presidente também ressaltou os desafios enfrentados pelas advogadas no país, especialmente na defesa das prerrogativas profissionais, e destacou a atuação conjunta da OAB-CE com diferentes instituições e secretarias do Estado. 

A presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB-CE, Eliene Bezerra, destacou as conquistas construídas pela gestão e o papel da união entre as mulheres advogadas da Capital e do Interior. Entre as iniciativas citadas estão a aprovação do Plano Anual da Mulher Advogada, a criação da Medalha Esperança Garcia, destinada a homenagear mulheres advogadas, e a Ouvidoria da Mulher Advogada.

“É impressionante o poder da nossa união. Nós fazemos parte desse processo de transformação. Em tão pouco tempo conseguimos aprovar o Plano Anual da Mulher Advogada”, destacou Eliene, ressaltando ainda a importância de fortalecer políticas voltadas às profissionais da advocacia em todo o Estado.

Representando a OAB em âmbito nacional, a presidente da Comissão Nacional da Mulher Advogada, Dione Almeida, reforçou a necessidade de compreender os avanços já conquistados sem perder de vista os desafios que permanecem. Para ela, refletir sobre a trajetória das mulheres é fundamental para construir novos caminhos de igualdade.

“É importante lembrarmos de onde viemos e para onde queremos ir”, afirmou Dione, durante o debate “Igualdade na advocacia: desafios e caminhos”. Ao abordar a liderança feminina, destacou que a construção de espaços mais justos exige persistência. “Não tem tempo fácil para liderança. Se formos esperar tempos fáceis, não haverá”, pontuou.

Também participaram do momento de abertura Gisele Sampaio, desembargadora federal do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5); Claudia Ponte, representando a Justiça Federal; e Valeska Catunda, promotora de Justiça do Ministério Público do Ceará (MPCE) e coordenadora do Núcleo Estadual de Gênero Pró-Mulher (NUPROM).

Liderança feminina no Interior

A programação também deu destaque à atuação das mulheres que estão à frente das subseções da OAB no interior do Ceará. Em um painel realizado após a abertura, a participação das presidentes das subseções reforçou a presença feminina na gestão da advocacia e a diversidade de experiências vivenciadas pelas profissionais fora da Capital.

O debate contou com a participação de Larissa Alencar, conselheira estadual da OAB-CE; Nair Freitas, presidente da Subsecção Inhamuns; Janaína Nunes, presidente da Subsecção Maciço de Baturité; e Emanuele Nobre, presidente da Subsecção Sertão Central.  A discussão também teve a participação de Eri Bernardino, presidente da Comissão Especial de Defesa da Criança e do Adolescente da OAB-CE.

A presença das dirigentes do Interior evidenciou a importância de ampliar a participação feminina nos espaços de decisão da Ordem e de considerar as diferentes realidades enfrentadas pelas advogadas cearenses. O painel também reforçou o papel das subseções na construção de políticas e iniciativas voltadas à valorização, à proteção e ao fortalecimento da mulher advogada.

A programação da conferência também contemplou diferentes aspectos da atuação profissional feminina. Entre os debates realizados estiveram a “Roda de conversa – Os impactos da violência de gênero na atuação profissional”, que abordou os reflexos da violência de gênero no cotidiano e na carreira das mulheres; o painel “Prerrogativas, ética, inclusão: rompendo barreiras invisíveis na advocacia exercida por mulheres”, voltado à discussão sobre os obstáculos ainda presentes no exercício profissional; e o painel “Além da dupla jornada: economia do cuidado, saúde mental e seus impactos na construção da carreira”, que trouxe para o centro do debate os desafios relacionados à conciliação entre vida profissional, responsabilidades de cuidado e construção de carreira.