A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE), representada pela sua Comissão de Direitos Humanos (CDH) e pela Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDDCA), acompanhou, entre os dias 20 e 25 de junho, no Fórum Clóvis Beviláqua, o Tribunal do Júri sobre a Chacina do Curió. O julgamento, que totalizou mais de 60 horas, condenou, individualmente, quatro policiais militares a 275 anos e 11 meses de prisão, por envolvimento em onze assassinatos no caso emblemático.
A Chacina do Curió foi um dos episódios mais trágicos e de grande repercussão no estado do Ceará, ocorrido na madrugada do dia 12 de novembro de 2015, quando onze jovens foram assassinados por policiais militares, no bairro Messejana, em Fortaleza. Diante da gravidade do acontecimento, a OAB Ceará tem acompanhado o andamento do caso, cujo tema tem sido presente na atuação cotidiana da Ordem cearense, por meio das suas diversas comissões.
A presidente da Comissão dos Direitos Humanos da OAB-CE, Leila Paiva, esteve presente no Fórum Clóvis Beviláqua e acompanhou todo o rito do processo para garantir a integridade das vítimas. “Entendemos que a reparação é fundamental para que esse tipo de crime não mais ocorra. A condenação nesse primeiro julgamento tem uma importância grande para que todos os autores sejam responsabilizados”, declarou.
Outra representação da Ordem cearense foi pela Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDDCA), através da sua presidente Julianne Melo, que revelou que a Comissão entende que aconteceu uma grande violação de Direitos Humanos e que atingiu de forma desproporcional jovens periféricos. “A grande maioria das vítimas da chacina eram adolescentes que tinham direito ao lazer e foram interrompidos por uma grave violência institucional, por isso consideramos necessário o acompanhamento dessa sessão do julgamento da forma que fizemos, com observadores atentos ao andamento dos procedimentos e aos elementos trazidos, bem como se as famílias estavam sendo atendidas em suas demandas”, explicou.