coletiva_oab1Em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (12/09) na sede da OAB Ceará, o presidente Marcelo Mota anunciou que enviou ofício ao governador do Estado e à Secretaria de Segurança Pública solicitando a devida apuração com relação à ação violenta da Polícia Militar na última quarta-feira (07/09), durante as manifestações contra o governo de Michel Temer na Avenida Beira Mar.

“A OAB Ceará vai acompanhar de perto a apuração desses fatos. O que ocorreu é uma agressão à cidadania, ao Estado Democrático de Direito e não podemos admitir que isso ocorra. Se queremos uma sociedade livre, justa, fraterna e inclusiva, não podemos admitir que tenhamos atos de agressão contra pessoas dessa natureza”, disse Mota.

manifestaO advogado Rodrigo Vieira, que estava participando da ação, contou que o grupo já estava no final da manifestação, entre a estátua de Iracema e o Jardim Japonês, quando um grupo de advogados se deparou com uma viatura da PM no contra fluxo. De acordo com o relato, os policiais desceram do carro com arma em punho e atirando bombas de efeito moral e balas de borracha. “Tentamos dialogar, mas fomos recebidos com palavras de baixo calão, de forma agressiva e indiscriminada”, disse o advogado que foi ferido com um tiro de borracha no pé.

“Isso é inconcebível. Vamos aos órgãos competentes para que tenhamos uma resposta. A polícia é para proteger a população e não agredir as pessoas que estão livremente se manifestando. Ouvimos inúmeros depoimentos de advogados e todos se mostraram imensamente indignados contra a ação violenta da polícia”, frisou o presidente da Ordem cearense.

Denúncia ocorreu em reunião na OAB

A coletiva de imprensa foi decidida em reunião da diretoria com advogados  vítimas da ação da PM foto-manifestacaodurante a manifestação. A reunião ocorreu na tarde da quinta-feira (08/09), quando os advogados denunciaram oficialmente o ocorrido ao presidente Marcelo Mota, que prontamente enviou ofício ao governador e aguarda posição sobre audiência.

Na ocasião, além do presidente Marcelo Mota e da vice-presidente Roberta Vasques, também estavam presentes o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Deodato Neto, a presidente da Comissão de Direito do Trabalho, Katianne Wirna, o presidente da Comissão de Direito Militar, Marcus Luna, o coordenador do Centro de Apoio e Defesa do Advogado, José Navarro, entre outros.

A seguir, alguns relatos de advogados que foram agredidos na manifestação.

“Quando (a situação) começou, havia cerca de 100 manifestantes. Policiais do Ronda, Raio, Choque  passaram de maneira ostensiva na margem esquerda da avenida. Não passaram para contemplar. Havia viaturas pretas nas esquinas fechando a subida da rua, viaturas na contramão, ou seja, todos foram cercados”

“Os cidadãos que estavam lá foram encurralados. Pessoas de bermuda, chinelo, sapatilha, mulheres, pessoas passeando. Então eles (os policiais) atiraram. Eram disparos à queima roupa. Os policiais estavam alterados, mascarados com mão no coldre”

“A atitude da Polícia Militar é um atentado ao exercício da advocacia, e isso é gravíssimo. O que ocorreu foi uma agressão a uma manifestação pacífica, a cidadãos exercendo seu livre direito de manifestação”

“Um cidadão se indignou com a situação e foi perguntar ao policial o porquê das agressões, então foi agredido. A OAB está ao lado desse cidadão também”

“Quando eles começaram a atirar – eu estava distante -, fui para perto, tentar mediar. Alguém perguntou qual era a ocorrência, mas eles (os policiais) estavam muito nervosos. Não existia nenhuma justificativa, eu não vi nenhum dano a prédio, e acompanhei todo o trajeto”

“Quando nos identificamos, um colega e eu levamos spray de pimenta no rosto. Pedimos calma várias vezes. Nos identificamos como advogados. Outro colega levou um tiro no pé”

“Eles (os policiais) chegaram cantando pneu e subindo a calçada. Quando eu estava saindo, ali próximo ao Náutico, tinha um batalhão gigantesco do Choque com escudos”

“Também havia defensores públicos conosco. Eles também tentaram conversar, mediar. Enquanto dois defensores tentaram mostrar a identificação, um policial mostrou a arma de fogo. Uma defensora levou uma coronhada”

“Encontrei um rapaz que levou um tiro. O policial mirou na cara dele e atirou. A perna dele está machucada porque o tiro foi à queima roupa”

“O que houve foi um ataque às nossas prerrogativas, aos nossos profissionais e colegas e aos cidadãos. Como advogado, como filho da OAB, digo que isso é inadmissível”.