A OAB-CE anuncia seu apoio à mobilização nacional em defesa da Competência Constitucional da Justiça do Trabalho, agendada para o próximo dia 28 de fevereiro, às 7h30, em Fortaleza.

O presidente da OAB-CE, Erinaldo Dantas, enfatizou que retirar a competência da Justiça Especializada do Trabalho viola a Constituição. “Nenhuma sociedade progride ao negar aos seus trabalhadores o acesso ao Judiciário. Nosso objetivo é liderar um grande movimento para proteger os direitos dos trabalhadores brasileiros”, ressaltou. O movimento está ganhando adesão de diversos segmentos da sociedade, visando realizar uma ampla mobilização em defesa da competência da Justiça do Trabalho.

Outras entidades estão engajadas neste movimento, incluindo a CDS/OAB/CE, CDT/OAB/CE, Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (ABRAT), Sindicato dos Servidores da Sétima Região (SINDSSETIMA), Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 7ª Região (AMATRA-7), Associação dos Advogados Trabalhistas do Ceará (ATRACE), Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Central das Trabalhadoras e Trabalhadores do Ceará/CTB/CE, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação dos Oficiais de Justiça Avaliadores Federais no Estado do Ceará (ASSOJAF/CE), Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes de Mudanças, Bens e Cargas do Estado do Ceará (SINDICAM), Conselho Federal de Enfermagem, além de diversos outros sindicatos e associações.

O movimento emitiu uma carta em defesa da Competência Constitucional da Justiça do Trabalho, ratificando assim o apoio e a preocupação com as recentes decisões que afetam a estabilidade do mundo do trabalho e os direitos sociais garantidos pela Constituição de 1988.

Leia a Carta na íntegra

Carta em defesa da Competência Constitucional da Justiça do Trabalho

Carta em defesa da Competência Constitucional da Justiça do Trabalho A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Ceará, juntamente com as entidades abaixo nominadas, ratificando a carta do movimento nacional em defesa da competência constitucional da Justiça do Trabalho, vêm a público manifestar a sua apreensão em face das restrições à competência constitucional da Justiça do Trabalho e enorme insegurança jurídica provocada pelas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, com profundas consequências na estabilidade do mundo do trabalho, na equidade tributária, na arrecadação previdenciária e fiscal, na livre concorrência e principalmente forte impacto nos direitos sociais estabelecidos pela Constituição de 1988.

O artigo 114 da Constituição da República atribuiu à Justiça do Trabalho a competência para julgar os conflitos decorrentes das relações de trabalho. O Supremo Tribunal Federal vem, no entanto, ao longo dos anos, impondo progressiva limitação à referida competência desse ramo do Judiciário.

O Direito do Trabalho foi estruturado sobre noções e princípios fundamentais, construídos por sólida doutrina, assim como é regulado pela Consolidação das Leis do Trabalho, texto legal que passa por constante processo de atualização. Trata-se do diploma legal brasileiro com maior número de alterações desde sua promulgação.

O contrato de trabalho, ao contrário de um contrato de natureza civil ou comercial, se estabelece entre pessoas com diferentes graus de autonomia e liberdade, especialmente em razão da subordinação e da dependência econômica que decorrem deste tipo de relação. Precisamente por isso, o artigo 9o da CLT, com vigência plena e íntegra, declara serem nulos os atos que visam a fraudar, desvirtuar ou impedir a aplicação da lei ao trabalho humano pessoal, não eventual, oneroso e realizado sob dependência. É preciso compatibilizar o princípio constitucional da livre iniciativa com o respeito a esse fundamento básico do direito do trabalho.

A Justiça do Trabalho tem a missão constitucional de aferir a natureza jurídica das relações de trabalho, e o faz a partir da análise fática do caso particular e dentro dos parâmetros do devido processo legal. Não há como sujeitar o Direito do Trabalho a abstrações e generalidades, sem que seu Juiz Natural considere as particularidades que compõem cada causa.

Os tribunais trabalhistas e seus magistrados merecem prestígio e respeito, como órgãos constitucionais aos quais compete exercer a jurisdição especializada, voltada à aplicação da lei, à segurança jurídica e à pacificação social.

Há, por fim, a necessidade de se assegurar que os processos distribuídos à Justiça do Trabalho tramitem nos trilhos do devido processo legal, sem sobressaltos, nem excepcionalidades que se transformem em insegurança jurídica e tratamentos díspares a circunstâncias semelhantes. Não cabe ao STF, como órgão de cúpula do Poder Judiciário, a revisão de fatos e provas, quando os processos já foram regularmente instruídos e julgados pelos órgãos da justiça especializada, no exercício de suas atribuições constitucionais.

Por tais razões, as entidades signatárias, reconhecendo o papel do Supremo Tribunal Federal como guardião da Constituição da República, propugnam pela preservação da integral competência constitucional da Justiça do Trabalho, nos exatos termos do artigo 114, assim como pela garantia dos direitos sociais assegurados pela Carta Magna e pela legislação pátria.

Conclamam, assim, a todas as instituições, profissionais e a cidadania para a adesão a esses propósitos, convictas de que esse é o caminho de preservação do projeto constitucional da República Federativa do Brasil. Os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa estão, ambos, elencados no artigo 1o da Constituição como fundamentos desse projeto!

Fortaleza, 28 de fevereiro de 2024.