O documento reúne 30 entidades e manifesta preocupação com o atual cenário político e institucional do país, defendendo a apuração rigorosa dos fatos, respeito às garantias constitucionais e preservação das instituições democráticas.

A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) articula e divulga, nesta segunda-feira (14), o manifesto “Em Defesa do Estado Democrático de Direito, da Constituição e da Independência do Poder Judiciário”, subscrito por 30 entidades da advocacia, do meio jurídico, acadêmico e da sociedade civil.

O documento expressa a preocupação dos signatários diante do atual cenário de tensão política e institucional no país, especialmente em relação aos acontecimentos e às notícias envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). A manifestação reafirma o compromisso com a democracia constitucional, a independência dos Poderes e a observância das garantias previstas na Constituição Federal.

Entre os pontos defendidos estão a apuração rigorosa, transparente e imparcial dos fatos, sem prejulgamentos ou interferências político-partidárias; a preservação da autoridade constitucional e do regular funcionamento do STF e do Poder Judiciário; o respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa, ao juiz natural e à presunção de inocência; além da rejeição a qualquer iniciativa que represente ameaça à independência judicial ou à ordem constitucional.

Para a OAB Ceará, a defesa das instituições democráticas não se confunde com a ausência de crítica ou de fiscalização. Ao contrário, o fortalecimento da democracia pressupõe instituições legítimas, responsáveis e permanentemente submetidas à Constituição e ao controle da sociedade.

A iniciativa também reforça o papel histórico da advocacia na defesa da ordem constitucional e das garantias fundamentais, especialmente em momentos de tensão entre as instituições. Ao reunir diferentes entidades em torno do documento, a OAB-CE busca contribuir para o diálogo institucional e para a preservação do Estado Democrático de Direito.

Confira, abaixo, a íntegra do manifesto e a relação das entidades:

MANIFESTO EM DEFESA DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO, DA CONSTITUIÇÃO E DA INDEPENDÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO

A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará e as entidades da sociedade civil abaixo subscritas vêm a público manifestar sua preocupação diante do atual momento de tensão política e institucional, especialmente quanto aos acontecimentos e às notícias que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

A democracia constitucional não se sustenta apenas pela realização periódica de eleições. Ela exige instituições legítimas, independentes e responsáveis, submetidas à Constituição, ao devido processo legal, à publicidade dos atos estatais e à permanente fiscalização da sociedade

O Supremo Tribunal Federal exerce a guarda da Constituição não por concessão circunstancial de governos, partidos ou maiorias políticas, mas por delegação expressa do poder constituinte democrático de 1987–1988. Sua existência, sua independência e o respeito às suas decisões constituem elementos essenciais da ordem constitucional inaugurada em 5 de outubro de 1988.

 A legitimidade da jurisdição constitucional é fortalecida quando suas decisões são públicas, coerentes, imparciais e racionalmente fundamentadas, respeitando o contraditório, a ampla defesa, o juiz natural e todas as demais garantias do devido processo constitucional e legal.

O povo brasileiro conhece, por sua própria experiência histórica, as consequências do uso político da justiça. Conhece tanto os perigos da submissão do Poder Judiciário a interesses econômicos, partidários ou governamentais quanto os riscos de instrumentalização das instituições judiciais para perseguir adversários, interditar o debate público ou substituir a vontade democraticamente expressa nas urnas.

Nenhuma denúncia deve ser utilizada como pretexto para a destruição das instituições. Do mesmo modo, nenhuma instituição democrática deve considerar-se dispensada de esclarecer fatos relevantes que envolvam o exercício do poder público. A preservação do Supremo Tribunal Federal e a apuração responsável dos acontecimentos noticiados não são objetivos incompatíveis. Ao contrário, ambos decorrem do mesmo compromisso com a Constituição e com o princípio republicano.

Diante do atual cenário, os signatários deste manifesto defendem:

  • a apuração rigorosa, transparente e imparcial dos fatos que vêm sendo amplamente divulgados, sem prejulgamentos, perseguições ou interferências político-partidárias, com a responsabilização de autores de condutas atentatórias à dignidade da justiça e consequente instauração de procedimento de afastamento pelo Senado da República;
  • a rejeição de qualquer iniciativa que pretenda intimidar magistrados, constranger o exercício legítimo da jurisdição ou promover rupturas na ordem constitucional;
  • a preservação da autoridade constitucional, da independência e do regular funcionamento do Supremo Tribunal Federal e de todo o Poder Judiciário;
  • a observância integral do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa, do juiz natural e da presunção de inocência;
  • e a reafirmação do diálogo institucional como único caminho legítimo para a superação das tensões entre os Poderes da República.

Não há democracia sem instituições transparentes, responsáveis e submissas à Constituição. Neste momento, cabe à advocacia e à sociedade civil rejeitar tanto o silêncio conivente quanto às condenações antecipadas. A defesa da Constituição exige serenidade, firmeza e compromisso com a verdade dos fatos. Exige que toda apuração ocorra pelas vias institucionais competentes e que nenhuma suspeita seja explorada para enfraquecer o Estado Democrático de Direito.

A OAB-CE e as entidades signatárias reafirmam, assim, sua confiança na democracia constitucional brasileira e convocam os Poderes da República, as instituições públicas, a advocacia, a imprensa e toda a sociedade a preservarem o Supremo Tribunal Federal, o Poder Judiciário e as garantias constitucionais que pertencem a todos os cidadãos.

Fortaleza, 14 de setembro de 2026.

Entidades que assinam:

  1. ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL – SECÇÃO CEARÁ (OAB-CE)
  2. FEDERAÇÃO DO COMÉRCIO DE BENS, SERVIÇOS E TURISMO DO CEARÁ (FECOMÉRCIO CEARÁ)
  3. SERVIÇO SOCIAL DO COMÉRCIO DO CEARÁ (SESC-CE)
  4. SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM COMERCIAL DO CEARÁ (SENAC-CE)
  5. CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE FORTALEZA  (CDL FORTALEZA)
  6. ASSOCIAÇÃO PARA JOVENS EMPRESÁRIOS EM FORTALEZA (CDL JOVEM FORTALEZA) 
  7. FEDERAÇÃO DAS CÂMARAS DE DIRIGENTES LOJISTAS (FCDL CEARÁ)
  8. FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DAS MULHERES DE CARREIRA JURÍDICA (FIFCJ)
  9. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS MULHERES DE CARREIRAS JURÍDICAS DO CEARÁ (ABMCJCE)
  10. INSTITUTO DOS ADVOGADOS DO CEARÁ (IAC)
  11. CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS DO CEARÁ (CAACE)
  12. ESCOLA SUPERIOR DE ADVOCACIA DO CEARÁ (ESA-CE)
  13. COMISSÃO BRASILEIRA DE JUSTIÇA E PAZ CNBB REGIONAL NE 1
  14. ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS ADVOGADOS DE FORTALEZA E REGIÕES DO CEARÁ (AJAFORTE)
  15. ASSOCIAÇÃO NOVA ADVOCACIA 
  16. ACADEMIA CEARENSE DE LETRAS JURÍDICAS (ACLJUR)
  17. CENTRO ACADÊMICO ARNALDO VASCONCELOS DO CURSO DE DIREITO DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA
  18. DIRETÓRIO CENTRAL DOS ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA (DCE UNIFOR)
  19. LIGA ACADÊMICA DE DIREITO PENAL E ÉTICA DA UNINASSAU PARANGABA
  20. COMISSÃO BRASILEIRA DE JUSTIÇA E PAZ CNBB RN-1
  21. ASSOCIAÇÃO DA ADVOCACIA TRABALHISTA DO CEARÁ (ATRACE)
  22. LIGA DE ARBITRAGEM DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ – UFC
  23. LIGA DE ESTUDOS EM TRIBUNAL DO JÚRI E SENTENÇA LETJUS DA UNIP, FAECE E FAFOR
  24. ASSOCIAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
  25. CENTRO ACADÊMICO CLÓVIS BEVILÁQUA UFC
  26. ASSOCIAÇÃO DOS ADVOGADOS CRIMINALISTAS DO ESTADO DO CEARÁ (ACRIECE) 
  27. CENTRO ACADÊMICO AGERSON TABOSA PINTO UNI7
  28. ASSOCIAÇÃO DOS PROCURADORES DA ADMINISTRAÇÃO CENTRALIZADA DE FORTALEZA (APACEFOR) 
  29.  FEDERAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DE JOVENS EMPRESÁRIOS DO CEARÁ (FAJECE) 
  30. ASSOCIAÇÃO DOS JOVENS EMPRESÁRIOS DE FORTALEZA  – AJE FORTALEZA

*Até o fechamento deste documento, estas são as entidades que aderiram ao manifesto, permanecendo aberta a possibilidade de inclusão de novas signatárias posteriormente.